O futuro dos HCFCs e as novas alternativas para o gás R-22

Os últimos anos do século XX foram decisivos para o meio ambiente. Foi ali que, em meio à poluição desenfreada, diversas nações começaram a firmar um compromisso com o desenvolvimento sustentável a fim de tornar seus métodos de produção menos nocivos à natureza.

Em 1987, o primeiro resultado dessa união saiu do papel: o Protocolo de Montreal. Ao longo de dois anos, o documento conseguiu aliar 46 países na missão de eliminar a comercialização de alguns gases prejudiciais à camada de ozônio, como os CFCs — 100% fora de uso atualmente.

Ao longo dos anos, o protocolo foi emendado e ajustado para introduzir novas medidas, controlar o uso de mais substâncias ou acelerar os processos de eliminações progressivas.

No Brasil, o Protocolo de Montreal também foi aderido e obteve bastante sucesso no cumprimento de suas metas. Tanto que, em 2010, extinguimos de vez o uso do CFC.

O passo atual em que nos encontramos é o de reduzir e eliminar os HCFCs. Entre eles, o principal é o HCFC 22 (mais conhecido como R-22), fluido refrigerante utilizado para fins comerciais e residenciais.

Seu prazo de eliminação total é 2040. Entretanto, a partir de 2030, 97,5% do seu volume em relação à linha de base estará impedido de ser comercializado, o que torna sua oferta em escala inviável.

A seguir, você conhece um pouco mais sobre os efeitos nocivos que o R-22 causa e ainda confere como sua eliminação está acontecendo no Brasil e no mundo. Acompanhe!

Por que o R-22 é tão nocivo?

O R-22 é um gás utilizado em larga escala no Brasil. Aproximadamente 80% de seu consumo está nos sistemas de refrigeração e ar-condicionado dos varejistas de alimentos e bebidas, mas ele também é encontrado em indústrias, hospitais e redes de fast food.

Em termos gerais, o R-22 é considerado seguro quando está inserido em um sistema selado. Por outro lado, vai de mocinho a vilão ambiental assim que entra em contato com a atmosfera, prejudicando a camada de ozônio e contribuindo para o efeito estufa.

Todo ano, nosso país vaza o equivalente a 11 mil toneladas de R-22 na atmosfera. Um prejuízo causado pela manipulação incorreta dos fluidos refrigerantes e que chega a custar cerca de R$ 500 milhões.

Lendo tudo isso, você deve estar se perguntando se as autoridades estão tomando alguma providência. E a resposta é sim!

Confira a seguir as medidas tomadas pelo governo.

R-22 em eliminação no Brasil

Em julho de 2011, a 64ª reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal aprovou a criação do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH).

Com quase uma década de existência, o PBH foi desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem o objetivo final de eliminar o uso do R-22 no país até 2040 — como estabelecido para todos os integrantes do acordo.

O primeiro passo adotado pelo programa foi priorizar a eliminação do HCFC-141b para produção de espumas. Hoje, 90% do seu volume já foi proibido.

Agora, o R-22 é o alvo do momento. De acordo com o MMA, a utilização do gás até 2019 foi reduzida aproximadamente 29% em relação à linha de base estabelecida em 2013.

Recentemente, em 1º de janeiro deste ano, o R-22 sofreu um novo corte e passou a ter 27,1% de seu volume proibido de ser comercializado — um aumento significativo em relação a 2020, quando apenas 6,5% do volume era vetado.

Mas se, por aqui, a eliminação desses gases vem ocorrendo de forma mais gradual, em outras partes do globo a situação é um pouco diferente. Veja a seguir.

R-22 em eliminação no mundo

Os integrantes da União Europeia, Estados Unidos e Japão, por exemplo, já eliminaram praticamente toda sua utilização de HCFCs e se encontram um passo à frente de nós. Ou seja, estão em processo de eliminação de HFCs, como R404, R410, R134 e R507.

Como adequação aos novos sistemas, é comum a aplicação de sistemas utilizando fluidos naturais, como o CO2 ou o Propano (R290).

Nesses países, e até mesmo na América do Sul, é comum o tráfico de fluido refrigerante, devido às medidas impostas pelos governos e seu elevado aumento de preço resultante da redução da oferta.

Em menos de 9 anos, não será mais possível utilizar o R-22. E o melhor a se fazer é não esperar o prazo acabar para se adequar. Quanto antes você se organizar, menos vai pagar pela modernização.

Dito isso, queremos saber: sua empresa já está se adequando a esses novos padrões? Conta pra gente aqui nos comentários!

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