Valor Econômico | Investidores apostam na GD para “limpar” seu consumo

Investidores apostam na GD para “limpar” seu consumo

Mesmo com revisão das regras, alternativa continuará atrativa para os consumidores

Por Letícia Fucuchima — De São Paulo

06/05/2021 05h01

 

Em rota de forte expansão nos últimos anos, a geração distribuída ganhou lugar de destaque na estratégia das empresas para tornar seu consumo de energia mais “limpo” e renovável.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), grupos comerciais e industriais somam hoje 45% de toda a potência instalada de geração distribuída, que compreende desde fazendas solares e usinas de biogás até painéis fotovoltaicos instalados em telhados.

A aposta na chamada “GD” se tornou popular principalmente entre bancos, redes de varejo e empresas de telecomunicações.

Além do próprio apelo sustentável das mini usinas de geração renovável, outro grande atrativo são os descontos na conta de luz: quando detêm sistemas de geração próprios, os consumidores conseguem isenção no pagamento de alguns componentes tarifários, como o uso da rede de distribuição e encargos.

As regras para a geração distribuída devem passar por mudanças, seja no âmbito da atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), seja com a criação de um marco regulatório. Mesmo que os benefícios possam se tornar menores, a avaliação é de que a alternativa não será abandonada pelas empresas.

“O mercado se adapta a qualquer retirada de subsídio. Estamos confiantes de que a ‘GD’ é muito importante, principalmente para os clientes de médio porte”, diz o presidente da GreenYellow no país, Roberto Zerkowski. A GreenYellow integra o grupo francês Casino e atua no mercado de geração distribuída, eficiência energética e comercialização de energia, atendendo clientes como Magazine Luiza, Assaí Atacadista e as operadoras Claro e Oi.

No Santander, a geração distribuída é parte importante do plano de tornar 100% renovável o consumo de suas agências e centros administrativos até o fim de 2021. “Isso é parte da estratégia mundial do grupo, aqui no Brasil estamos conseguindo avançar e nos adiantar em relação ao calendário para essas metas”, afirma o vice-presidente de Tecnologia e Operações do Santander, Ede Viani.

Hoje, o banco tem 12 usinas arrendadas, em 10 Estados e com diferentes fontes – solar, hídrica (CGHs), biogás e cogeração a gás. Ao todo, esse parque soma 11 megawatts (MW) de potência e atende a demanda de energia de 877 agências. O banco tem ainda 13 usinas em construção e outras seis devem ter as obras iniciadas até o fim de junho. Com isso, a instituição alcançará 40 MW de capacidade instalada, que, somada às compras de energia no mercado livre, atenderá suas 2 mil agências.

A MRV também tem um plano ambicioso envolvendo projetos de geração distribuída. No ano passado, a incorporadora inaugurou uma usina solar própria em Uberaba (MG), voltada ao consumo de seus escritórios, plantões de vendas e canteiros de obras em Minas Gerais – a economia anual é estimada em cerca de R$ 800 mil. A ideia é replicar esse modelo para todos os outros Estados em que atua.

“Estamos focados em continuar com essa estratégia, principalmente para contribuir com o meio-ambiente. Dependendo da revisão que vier, talvez fique inviável, mas não queremos desistir”, afirma Raphael Lafetá, diretor executivo de Relações Institucionais e Sustentabilidade da MRV. No longo prazo, a companhia tem a meta de entregar 100% de seus empreendimentos com sistemas de energia solar.

“A geração distribuída, perto da carga, faz parte do futuro do setor elétrico. Mesmo com mudança nas regras, nem assim vai haver desestímulo, porque faz sentido para o consumidor, a tecnologia está madura e barata”, avalia Lavínia Hollanda, fundadora da consultoria Escopo Energia.

Além da geração distribuída, outra vertente que vem despontando entre os consumidores é a da eficiência energética. “Junto com a busca por energia renovável, vemos muitos consumidores atrás de projetos para redução do consumo. Estamos desenvolvendo soluções nessa área, é a próxima nova onda”, destaca Ramon de Oliveira, co-fundador e diretor do grupo Gera, que atua em geração e comercialização e tem como clientes Ambev, Vivo e Lojas Americanas.

Disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/05/06/investidores-apostam-na-gd-para-limpar-seu-consumo.ghtml

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